Meu coração as vezes para
E eu saio por aí
Quase sem vida,
Meu coração na verdade
Trepida, fibrila,
Enrola a língua...
E quando a tristeza é muito grande
Ele me aperta bem no meio
E de abstrata,
Como dizê-lo,
Uma dor tangível
É que me constrange...
Quem foi que disse
Que não se morre disso?!
"Escrever me toma de assalto, a qualquer hora do dia em verso, em prosa, é tinta de caneta que corre nas minhas veias e eu não posso resistir" Por Janete Lacerda
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Ao SE
Eu queria ser o “se”
“Se” de sete em vez de uma,
Se eu fosse o se
Eu faria a mais bonita
Oração condicional...
Perguntando a Deus se me ouvia
Só para virar uma integrante
A ser sempre o que fui antes
Uma subordinativa.
Já para virar uma partícula
De realce ou expletiva
Passam-se várias horas,
E nessa espera apassivadora
Espalham-se rumores,
Trabalha-se num apelo tal
Por fazer-me mero índice
De Indeterminação do sujeito.
Quanto ao sujeito,
A breve história é que
Ele arrepende-se do delito
- Querer ser verbo pronominal -
E numa atitude derradeira
Matou-se deixando num bilhete escrito:
“Por que deixei de ser pronome reflexivo?”
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Um Café por Gentileza
Um café não precisa ser expresso
Pode ficar subentendido,
Pode continuar puro
Mesmo sendo mocaccino,
Pode por um cappuccino
Quando for sair na chuva
E não quiser correr o risco
De virar americano,
Rebaixado,
O que no fundo e no raso
Significa a mesma coisa,
Pode vir sem açucar,
Desarrazoado,
E ser o mais doce disparate,
Pois um café
Não precisa ser expresso
Pode ser pingado,
Despretencioccino,
Fica a teu critério...
Mas por gentileza,
Que não seja submarino
Café sem açúcar... até vai lá,
Mas sem café?!
sábado, 29 de outubro de 2011
Poetas de Quinta
Eu não quero perder a forma,
O ritmo
Eu não quero ressuscitar escolas,
Ritos de poesia.
Eu não quebro dogmas
Nem estabeleço paradigmas,
Eu só quero que sejamos livres,
Em verso, em prosa,
Nos versos contados
Das poucas horas
Que nos restam
Para ainda sermos poetas.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Ao Teu Amor
Dizes-me indiretamente
Tudo quando quis sempre ouvir,
Falas-me de sonhos ditosos,
Pormenores delicados
Do tu e eu...
E neste teu mundo
Repletos de lugares que me cabem,
Perfeitamente,
Em que por certo eu seria
A mais feliz,
Como dizer?
Quisera ter o peito aberto,
A alma livre,
Queria mais que tu
Ser tua,
Sem “mas” na frase contígua,
Sem este “porém”, “contudo”, “todavia”,
Feito para nos aniquilar.
sábado, 8 de outubro de 2011
PELA MANHÃ
Eu faço festa
Aqui do lado de fora
Do teu coração,
Rente à porta
Que não me atrevo bater.
Colocasse um só pé
Além entrada,
Tu não imaginavas...
Se eu entrasse
No teu coração,
No instante que é agora
Preferiria não ser eu,
Que fosse outra pessoa
A abrir os olhos pela manhã.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Mania
A mim, não me posso enganar.
Tu me ouves em silêncio
E em silêncio
És meu melhor comparsa...
Tu te demudas
À minha volição
E de preto puro
A lacticínio,
Teu vapor me embriaga
E me revigora
A qualquer hora do dia.
Apenas uma reclamação a protocolar:
“E quando eu precisar ouvir?”
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Vá
O meu amor é vivo
Em cada termo e no silêncio.
O meu amor é meu,
Não teu,
Não por egoísmo
Mas por viver em mim.
Esse amor que é meu
Eu te dedico
À revelia dos teus anseios
E sem nada cobrar-te,
Amo-te pelos dias
Pelas horas,
Nos devaneios
Do meu tórax,
Desse amor gigantesco
E inexaurível
Que te olha e te diz
Contraditoriamente: “Vai”
Luz
O meu peito está repleto de luz
Eu espelho turvo
E Deus em mim para outro,
Não sou perfeito,
Não mereço,
Mas o meu peito está tomado de luz.
E por caminhos obscuros
Apresso a marcha,
Às trevas que Ele nunca olvida,
Sou instrumento de meu pai,
Daquele que escuta cada sussurro
Cada gemido surdo,
Nos mais longínquos confins.
O meu peito é transbordante de luz,
De uma luz cedida,
Que Ele me permita mantê-la acesa
De agora até o fim da jornada.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Antiquado
Fosse mais suave
Este amor que te trago,
Ao que viesse à tona
Dissolver-se-ia no ar,
Mas se tu o comparas
Às coisas baratas
A que não deve estima
Então não permitas
Que eu te reduza,
Te delimite
E te corroa
Com a desonra
Da minha fugacidade,
Aparta-te de mim
Que não te faço jus.
Do contrário
Se notares-me
A alma pura
Deste delicado amor,
Não te acabrunhes
Ele é de graça.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Imaginação
Posso ver nosso filho,
Cada dobrinha,
A mão segundo teu dedo,
Os olhos de “eu vi primeiro”,
E a boca
Que faria questão que fosse à tua.
Posso ver-te com ele
Ou ela, quem poderia saber,
Sentada na cadeira de balanço,
A dormir sobre teu peito
Enquanto me sorrisses
De pura satisfação...
E já que não posso dar-te um filho
Não pensei nas noites sem sono,
Nem nas fraudas por lavar,
Supus apenas como seria bom
Dar-te um pedacinho desse algo
Metade meu, metade teu.
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