"Escrever me toma de assalto, a qualquer hora do dia em verso, em prosa, é tinta de caneta que corre nas minhas veias e eu não posso resistir" Por Janete Lacerda
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Mania
A cor dos teus olhos
Não os reparei,
Não pude
A princípio
Pois para isso
Precisava estar perto,
Precisava estar rente a tua cutis.
Mas quando pude
Te olhar rés a pele
Que mundos,
Que sonhos me foram auridos.
Ainda não conheci a cor dos teus olhos,
Tive medo,
Talvez não suportasse
O cataclisma
Da visão dos teus olhos,
Ou talvez simplesmente
Continue com a mania
De guardar o melhor sempre para o final.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Como Acreditar?
Tu me vens
Retina a dentro
A estremecer o coração,
Depois te vais
Em viagens longas
Em demasia
Para esta saudade
Que dispara
Ao te perder de vista.
Tu me vens
Retina a dentro
E te alojas no meu peito
De tal forma
Que custo a crer
Que tu existas,
Ou qu'eu esteja
Mesmo acordada.
"Na retina do meu coração você atravessa e eu viro de ponta-a-cabeça"
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Morrer de Amor
Meu coração as vezes para
E eu saio por aí
Quase sem vida,
Meu coração na verdade
Trepida, fibrila,
Enrola a língua...
E quando a tristeza é muito grande
Ele me aperta bem no meio
E de abstrata,
Como dizê-lo,
Uma dor tangível
É que me constrange...
Quem foi que disse
Que não se morre disso?!
E eu saio por aí
Quase sem vida,
Meu coração na verdade
Trepida, fibrila,
Enrola a língua...
E quando a tristeza é muito grande
Ele me aperta bem no meio
E de abstrata,
Como dizê-lo,
Uma dor tangível
É que me constrange...
Quem foi que disse
Que não se morre disso?!
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Ao SE
Eu queria ser o “se”
“Se” de sete em vez de uma,
Se eu fosse o se
Eu faria a mais bonita
Oração condicional...
Perguntando a Deus se me ouvia
Só para virar uma integrante
A ser sempre o que fui antes
Uma subordinativa.
Já para virar uma partícula
De realce ou expletiva
Passam-se várias horas,
E nessa espera apassivadora
Espalham-se rumores,
Trabalha-se num apelo tal
Por fazer-me mero índice
De Indeterminação do sujeito.
Quanto ao sujeito,
A breve história é que
Ele arrepende-se do delito
- Querer ser verbo pronominal -
E numa atitude derradeira
Matou-se deixando num bilhete escrito:
“Por que deixei de ser pronome reflexivo?”
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Um Café por Gentileza
Um café não precisa ser expresso
Pode ficar subentendido,
Pode continuar puro
Mesmo sendo mocaccino,
Pode por um cappuccino
Quando for sair na chuva
E não quiser correr o risco
De virar americano,
Rebaixado,
O que no fundo e no raso
Significa a mesma coisa,
Pode vir sem açucar,
Desarrazoado,
E ser o mais doce disparate,
Pois um café
Não precisa ser expresso
Pode ser pingado,
Despretencioccino,
Fica a teu critério...
Mas por gentileza,
Que não seja submarino
Café sem açúcar... até vai lá,
Mas sem café?!
sábado, 29 de outubro de 2011
Poetas de Quinta
Eu não quero perder a forma,
O ritmo
Eu não quero ressuscitar escolas,
Ritos de poesia.
Eu não quebro dogmas
Nem estabeleço paradigmas,
Eu só quero que sejamos livres,
Em verso, em prosa,
Nos versos contados
Das poucas horas
Que nos restam
Para ainda sermos poetas.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Ao Teu Amor
Dizes-me indiretamente
Tudo quando quis sempre ouvir,
Falas-me de sonhos ditosos,
Pormenores delicados
Do tu e eu...
E neste teu mundo
Repletos de lugares que me cabem,
Perfeitamente,
Em que por certo eu seria
A mais feliz,
Como dizer?
Quisera ter o peito aberto,
A alma livre,
Queria mais que tu
Ser tua,
Sem “mas” na frase contígua,
Sem este “porém”, “contudo”, “todavia”,
Feito para nos aniquilar.
sábado, 8 de outubro de 2011
PELA MANHÃ
Eu faço festa
Aqui do lado de fora
Do teu coração,
Rente à porta
Que não me atrevo bater.
Colocasse um só pé
Além entrada,
Tu não imaginavas...
Se eu entrasse
No teu coração,
No instante que é agora
Preferiria não ser eu,
Que fosse outra pessoa
A abrir os olhos pela manhã.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Mania
A mim, não me posso enganar.
Tu me ouves em silêncio
E em silêncio
És meu melhor comparsa...
Tu te demudas
À minha volição
E de preto puro
A lacticínio,
Teu vapor me embriaga
E me revigora
A qualquer hora do dia.
Apenas uma reclamação a protocolar:
“E quando eu precisar ouvir?”
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Vá
O meu amor é vivo
Em cada termo e no silêncio.
O meu amor é meu,
Não teu,
Não por egoísmo
Mas por viver em mim.
Esse amor que é meu
Eu te dedico
À revelia dos teus anseios
E sem nada cobrar-te,
Amo-te pelos dias
Pelas horas,
Nos devaneios
Do meu tórax,
Desse amor gigantesco
E inexaurível
Que te olha e te diz
Contraditoriamente: “Vai”
Luz
O meu peito está repleto de luz
Eu espelho turvo
E Deus em mim para outro,
Não sou perfeito,
Não mereço,
Mas o meu peito está tomado de luz.
E por caminhos obscuros
Apresso a marcha,
Às trevas que Ele nunca olvida,
Sou instrumento de meu pai,
Daquele que escuta cada sussurro
Cada gemido surdo,
Nos mais longínquos confins.
O meu peito é transbordante de luz,
De uma luz cedida,
Que Ele me permita mantê-la acesa
De agora até o fim da jornada.
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