terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Lua Crescente

Sempre que vens
Penso serás insubstituível
E o derradeiro,
Sempre que vais,
Atingindo-me mortalmente,
Sinto que não sobreviverei.
Sempre que me vens,
Outra vez,
Uma tremenda confusão se estabelece,
O último se torna o penúltimo,
Permaneço,
Recomeço,
Cismo:
Todo fim
É sempre uma espécie de começo.
Que seja o último!
Desejo,
Com uma franqueza "lua-nova".

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Não se meta a fazer verso...


Fórmulas, Métodos
Para nada disso presto,
Presto minhas condolências
Para quem já morreu...

Dita a boa educação:
Não diga palavras feias, filho,
Nem de baixo calão,
Põe a camisa para dentro da calça,
Não seja inconveniente!!!

Não se meta a fazer verso
Se não for para incomodar,
Abiscoitar...
Que palavra é essa, nego?
- Não sei! Mas acho que é doce.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Pontuação

Cá, entre nós,
Meu bem,
Cabem vírgulas somente,
Pausas pequenas.
Cá, entre nós
E fitas,
Um presente delicado,
O cotidiano.
Cá entre nós,
Mia querida,
Eu escolhia tua vista
Aos jogos de pontuação.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Definição


Uma pedra bruta,
Uma tela em branco,
Uma partitura sem cifra,
Uma página a ser escrita,
Uma lacuna,
Uma ideia que não foi dita
Eu sou teu molde,
Tua matéria prima,
Eu não sou parte
Do teu conjunto,
Sou o que se transmuta
Pelo simples toque
Das tuas mãos.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Bicho de Goiaba

Saudade não é bem um sentimento,
É um bicho de goiaba
A cavucar por dentro e 
Que se reduz a termo.
Mas ninguém tem nojo
De sentir saudade,
Ninguém se importa
Em causar saudade,
Muito menos com os buraquinhos
Que se cava,
Sobejo,
No coração alheio.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Alpinista


Cá,
Aqui,
Neste lugar
Que te digo teu,
Senta e te acomoda,
Eu faço escada para ti,
Para não digas que é dificil
Que o meu coração é inatingível.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Mania










A cor dos teus olhos
Não os reparei,
Não pude
A princípio
Pois para isso
Precisava estar perto,
Precisava estar rente a tua cutis.
Mas quando pude
Te olhar rés a pele
Que mundos,
Que sonhos me foram auridos.
Ainda não conheci a cor dos teus olhos,
Tive medo,
Talvez não suportasse
O cataclisma
Da visão dos teus olhos,
Ou talvez simplesmente
Continue com a mania
De guardar o melhor sempre para o final.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Como Acreditar?

Tu me vens
Retina a dentro
A estremecer o coração,
Depois te vais
Em viagens longas
Em demasia
Para esta saudade
Que dispara
Ao te perder de vista.
Tu me vens
Retina a dentro
E te alojas no meu peito
De tal forma
Que custo a crer
Que tu existas,
Ou qu'eu esteja
Mesmo acordada.

"Na retina do meu coração você atravessa e eu viro de ponta-a-cabeça"

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Morrer de Amor

Meu coração as vezes para
E eu saio por aí
Quase sem vida,
Meu coração na verdade
Trepida, fibrila,
Enrola a língua...
E quando a tristeza é muito grande
Ele me aperta bem no meio
E de abstrata,
Como dizê-lo,
Uma dor tangível
É que me constrange...
Quem foi que disse
Que não se morre disso?!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Ao SE


Eu queria ser o “se”
“Se” de sete em vez de uma,
Se eu fosse o se
Eu faria a mais bonita
Oração condicional...
Perguntando a Deus se me ouvia
Só para virar uma integrante
A ser sempre o que fui antes
Uma subordinativa.
Já para virar uma partícula
De realce ou expletiva
Passam-se várias horas,
E nessa espera apassivadora
Espalham-se rumores,
Trabalha-se num apelo tal
Por fazer-me mero índice
De Indeterminação do sujeito.
Quanto ao sujeito,
A breve história é que
Ele arrepende-se do delito
- Querer ser verbo pronominal -
E numa atitude derradeira
Matou-se deixando num bilhete escrito:
“Por que deixei de ser pronome reflexivo?”

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Um Café por Gentileza


Um café não precisa ser expresso
Pode ficar subentendido,
Pode continuar puro
Mesmo sendo mocaccino,
Pode por um cappuccino
Quando for sair na chuva
E não quiser correr o risco
De virar americano,
Rebaixado,
O que no fundo e no raso
Significa a mesma coisa,
Pode vir sem açucar,
Desarrazoado,
E ser o mais doce disparate,
Pois um café
Não precisa ser expresso
Pode ser pingado,
Despretencioccino,
Fica a teu critério...
Mas por gentileza,
Que não seja submarino
Café sem açúcar... até vai lá,
Mas sem café?!